Na casa de Tomás, o mês de dezembro era sempre o mais animado do ano. Luzes, músicas, chocolates… e, naquele ano em especial, um Elfo muito travesso, enviado pelo Pai Natal para observar o comportamento das crianças.
O Elfo chamava-se Pipocas. Tinha um chapéu curvado, orelhas pontiagudas e um sorriso tão grande que o denunciava antes mesmo de fazer asneira.
Todas as noites, enquanto toda a casa dormia, Pipocas acordava para… inventar confusão.
No primeiro dia, Tomás encontrou a cozinha coberta de farinha. Pipocas tinha tentado “fazer neve”.
No segundo dia, os brinquedos estavam alinhados como se tivesses desfilado pela sala. O carrinho do Tomás ia à frente como se fosse o rei dos desfiles.
No terceiro dia, Pipocas amarrou cordões dos sapatos, pendurou meias nos candeeiros e até escondeu a escova do Tomás dentro do frigorífico.
Tomás achava graça a tudo aquilo… mas havia um problema sério: o seu cão, Bolinhas, um Pinscher, curioso e um bocadinho bruto, farejava sempre as asneiras do Elfo e Tomás morria de medo que o cão lhe fizesse mal.
— E se o Bolinhas lhe morde? Perguntava Tomás à mãe.
— Ele é um Elfo mágico, meu amor. Dá-lhe tempo. Respondia ela, sem saber exatamente como funcionavam Elfos travessos.
Mas Tomás não descansava. Cada manhã acordava e corria pela casa à procura de Pipocas… e à procura do Bolinhas.
Certa madrugada, ouviu o cão rosnar baixinho no quarto. O coração de Tomás congelou.
Abriu a porta devagar… E viu Pipocas pendurado no candeeiro, a balançar como um acrobata… e Bolinhas debaixo dele a ladrar, a pular e a tentar alcançar-lhe as pernas de pano.
— Bolinhas, NÃO! Gritou Tomás, desesperado.
O cão sentou-se, mas Pipocas… caiu.
O menino correu e agarrou o Elfo, que parecia assustado, mesmo com o seu sorriso costurado.
— Tu não podes continuar assim… vais-te magoar. Disse Tomás, com lágrimas de preocupação.
Foi então que Pipocas piscou-lhe o olho. O Elfo, apesar de silencioso, parecia conseguir dizer tudo sem falar. Tomás percebeu a mensagem: o Elfo estava a pedir ajuda.
Naquela noite, Tomás teve uma ideia brilhante.
Colocou Pipocas num lugar seguro, uma pequena casinha que ele mesmo construiu com caixas de sapatos, almofadinhas e até uma mini janela. Bolinhas cheirou tudo, abanou o rabo e aceitou que aquele era o “cantinho mágico”.
Na manhã seguinte, Tomás deixou um bilhete: "Querido Pipocas, podes fazer asneiras… mas só as que não te põem em perigo. E por favor, deixa o Bolinhas ajudar-te. Acho que ele quer ser teu amigo."
Nessa noite, algo lindo aconteceu. Pipocas fez asneiras, claro! Mas desta vez com a ajuda do Bolinhas. O Elfo subiu às costas do cão para pendurar decorações, o cão levava objetos com cuidado na boca e juntos fizeram uma pista de obstáculos feita de almofadas que deixou a sala parecida com um parque de diversões natalício.
Na manhã seguinte, Tomás encontrou os dois a dormir juntos: Pipocas encostado ao focinho do Bolinhas, como se fossem amigos desde sempre.
O menino sorriu, finalmente tranquilo. E descobriu que às vezes, para resolver um problema, basta ouvir, pensar e incluir todos, mesmo aqueles que parecem difíceis.
Porque quando há respeito, amizade e cuidado… até o maior cão pode ser o melhor amigo do menor Elfo.

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