O rato que queria comer a Lua


Numa pequena aldeia escondida entre campos de trigo dourado, vivia um ratinho curioso chamado Nico. O Nico era pequeno, de pêlo cinzento e olhos brilhantes como estrelas. Todas as noites, ele saía do seu esconderijo no celeiro e olhava para o céu.

— Uau… — suspirava ele — Que queijo tão grande e apetitoso!

O Nico estava convencido de que a lua era um gigantesco queijo redondo e brilhante. Era amarelinha como o queijo curado que os humanos deixavam na cozinha, e brilhava tanto que parecia ainda mais delicioso.

— Um dia, vou comê-la toda! — dizia ele, esfregando as patinhas.

Mas havia um problema... Como poderia ele, um ratinho tão pequeno, chegar até à lua? E mesmo que lá chegasse, como é que a ia trincar?

Durante dias, o Nico fez planos. Tentou empilhar latas vazias, saltou de árvores e até prendeu balões de festa às costas. Mas nada funcionava. Cada vez que pensava que estava perto, a lua parecia fugir ainda mais.

Numa noite especial, a lua apareceu no céu com apenas metade do seu tamanho. O Nico ficou em choque.

— Oh não! Alguém está a comer o meu queijo! — gritou aflito. — Tenho de me apressar!

Aflito, foi procurar conselhos. Perguntou ao mocho sábio, que vivia no carvalho velho:

— Mocho, sabes quem anda a comer a lua?

O mocho riu-se com as suas penas farfalhudas.

— Oh, pequeno Nico… Ninguém está a comer a lua. Ela muda de forma todos os meses. É o que chamamos de fases da lua.

— Fases da lua? — perguntou o ratinho, curioso.

— Sim — explicou o mocho. — Às vezes parece cheia, outras vezes está meia, e por vezes quase não a vemos. Mas está sempre lá, inteira. É a forma como o sol a ilumina que a faz parecer diferente.

O Nico ficou maravilhado. Afinal, a lua não estava a ser comida… e talvez nem fosse um queijo!

Apesar disso, o seu sonho de a comer não desapareceu. Mas agora, em vez de tentar trincá-la, o Nico aprendeu a admirá-la.

— Talvez não seja queijo — disse ele ao olhar para o céu. — Mas continua a ser a coisa mais bonita que já vi.

E todas as noites, sentado no telhado do celeiro, o Nico sorria para a lua, feliz por saber que, mesmo longe, ela estaria sempre lá, inteira, a brilhar para ele.

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