Numa pequena vila rodeada por colinas verdes e campos floridos, vivia uma criança chamada Lia. Lia tinha olhos curiosos, mãos sempre sujas de tinta e uma imaginação que parecia não ter fim.
Ela adorava desenhar. Desenhava no caderno, nas folhas soltas, nas margens dos livros antigos e até no chão com paus quando estava no jardim. Mas havia um problema…
— Desenho bem… mas gostava que os meus desenhos fossem reais — suspirava ela todos os dias.
Um dia, ao arrumar o sótão da avó, Lia encontrou uma caixa de madeira antiga, cheia de pó e teias de aranha. Dentro, havia apenas um lápis dourado, muito brilhante e quente ao toque.
Preso ao lápis estava um pequeno papel onde se lia:
“Este lápis tem um poder raro. Mas cuidado… tudo o que desenhares ganhará vida. Usa-o sempre com o coração.”
Lia arregalou os olhos.
— Ganhar vida? — sussurrou, curiosa.
Não resistiu.
Pegou numa folha e desenhou um pequeno pássaro azul. Assim que terminou o último risco…
O pássaro piscou os olhos…bateu as asas… e voou!
— NÃO ACREDITO! — gritou ela, saltando de alegria.
No início, foi tudo maravilhoso.
Lia desenhou: um gato cor-de-laranja que ronronava, a bicicleta voadora, um jardim de flores que cantavam e até um pequeno dragão que soltava bolhas de sabão.
Mas rapidamente percebeu algo importante…
Cada desenho tinha consequências.
Um dia, desenhou um enorme castelo de nuvens — mas ele começou a chover sobre toda a vila.
Outro dia, desenhou um monstro engraçado, só por brincadeira…
Mas o monstro cresceu… e começou a assustar toda a gente.
As pessoas fugiam, ela ficou com medo… e o monstro não desaparecia.
Lia sentou-se no chão, triste.
— Queria apenas ser criativa… não fazer confusão…
Nesse momento, o pássaro azul pousou no seu ombro e cantou baixinho, como se a estivesse a acalmar.
Ela lembrou-se da mensagem:
“Usa-o sempre com o coração.”
Respirou fundo…
Pegou novamente no lápis mágico…
E desenhou um coração enorme, que envolveu o monstro.
O monstro encolheu… transformou-se em nuvem… e depois desapareceu.
Lia percebeu então que a imaginação é um poder gigante, mas precisa de responsabilidade.
A partir desse dia, começou a usar o lápis para: ajudar crianças tristes a sorrir, desenhar pontes para quem não conseguia atravessar e criar asas para os sonhos dos outros
Mas algo curioso aconteceu…
Quanto mais ela ajudava… menos precisava do lápis.
Porque descobriu que o verdadeiro poder não estava no lápis… mas dentro dela.
E assim, Lia aprendeu que imaginar é criar, mas criar é também cuidar.
E o mundo ficou mais bonito… por causa disso.

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