A birra


Era um dia de sol radiante e todos estavam muito entusiasmados. O Tomás, um menino alegre e simpático, fazia anos, e a festa ia ser num lugar especial: o Centro Hípico das Estrelas. Lá, havia cavalos de todas as cores; o Relâmpago, preto e forte como a noite; a Estrela, branca e serena como uma nuvem; e o Dourado, um cavalo castanho-claro com uma mancha em forma de coração no pescoço.

O cheiro a palha misturava-se com o som das gargalhadas das crianças, que corriam de um lado para o outro, curiosas com os cavalos. Depois do bolo e das brincadeiras, chegou o momento mais esperado: a hora de cuidar do cavalo e dar uma voltinha.

As crianças juntaram-se em volta do Dourado, que abanava a cauda calmamente, enquanto a instrutora explicava como escovar o seu pelo macio. Cada um, por sua vez, pôde passar a escova suavemente no cavalo, que parecia adorar o carinho.

Quando chegou a vez do Joca, ele ficou impaciente.
— Eu quero ser o primeiro a andar no cavalo! — gritou, cruzando os braços.

A mãe tentou explicar-lhe:
— Joca, o aniversariante é o Tomás. Ele deve ser o primeiro e depois vais tu, está bem?

Mas o Joca não quis ouvir. Fez uma birra enorme, gritou, atirou a escova ao chão e até se sentou na terra, de trombas. As outras crianças ficaram tristes e o Dourado, assustado com o barulho, deu um pequeno passo atrás e abanou as orelhas.

A instrutora aproximou-se devagarinho e disse:
— Sabes, Joca, os cavalos não gostam de barulho nem de zanga. Eles só se aproximam de quem está calmo.

O Joca olhou para o Dourado e viu que o cavalo o observava com uns olhos grandes e doces. Sentiu-se envergonhado e, aos poucos, o choro foi diminuindo. A mãe sorriu e perguntou:
— Queres tentar acalmar o Dourado? Ele gosta muito de meninos tranquilos.

O Joca respirou fundo, pegou na escova e começou a pentear o cavalo devagarinho. O Dourado aproximou o focinho dele e deu-lhe um pequeno empurrão com o nariz, como se o estivesse a perdoar.

Quando chegou a sua vez de montar, o Joca estava mais calmo e feliz. Subiu no Dourado, que começou a andar devagarinho pela pista. O vento bateu-lhe no rosto e ele sentiu-se leve, como se estivesse a voar.

Ao descer, correu para o Tomás e disse:
— Desculpa, Tomás. Parabéns, a tua festa foi incrível!

O Tomás sorriu e respondeu:
— Obrigado, Joca! Queres dar mais uma voltinha comigo?

E lá foram os dois, lado a lado, montados no Dourado, rindo e conversando.

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