Pedro era um rapaz cheio de energia, mas também muito impaciente. Gostava de brincar, correr e inventar jogos, mas, quando chegava a hora de ajudar em casa ou fazer os trabalhos da escola, arranjava sempre uma desculpa para escapar.
Uma manhã de sábado, enquanto passeava pelo mercado da vila com a sua avó, Pedro viu uma pequena barraca que nunca tinha reparado antes. Era coberta por um pano vermelho e dourado, e atrás dela estava um senhor de barba branca e chapéu pontiagudo. Sobre a mesa, reluziam vários pares de sapatos estranhos, com cores vibrantes e desenhos curiosos.
— Olá, jovem! — disse o homem com um sorriso misterioso. — Estás à procura de algo especial?
Pedro deu de ombros, mas os olhos pousaram num par de ténis azuis com asas prateadas nas laterais.
— Uau! Estes são incríveis!
O homem aproximou-se e cochichou: — Estes não são sapatos comuns. Eles fazem-te correr mais rápido do que o vento... mas só funcionam se fizeres boas escolhas.
Pedro arregalou os olhos. — E se eu não fizer?
— Se fizeres más escolhas, eles ficarão pesados como pedra — explicou o vendedor. — E não vais conseguir dar um passo.
Intrigado e sem pensar muito, Pedro calçou-os. Serviam na perfeição. O homem sorriu e, com um piscar de olho, disse: — Lembra-te, Pedro: a verdadeira magia está nas tuas atitudes.
Nos primeiros dias, Pedro estava maravilhado. Quando ajudava a mãe a arrumar a cozinha ou quando explicava um exercício ao colega na escola, os sapatos brilhavam e ele corria pelo recreio como se tivesse asas nos pés. Sentia-se invencível.
Mas, um dia, durante um jogo com os amigos, Pedro trapaceou para ganhar. No mesmo instante, os ténis perderam o brilho e ficaram pesados. Ele tropeçou e caiu, ficando para trás. Os amigos riram, mas Pedro percebeu que não era culpa deles — era dele.
No dia seguinte, ainda chateado, decidiu ignorar o dever de fazer os trabalhos de casa e foi brincar. Ao tentar correr, quase não conseguiu levantar os pés. Era como se estivesse a arrastar duas pedras gigantes.
Frustrado, Pedro sentou-se e lembrou-se do que o vendedor dissera. "A verdadeira magia está nas tuas atitudes." Será que…?
Na manhã seguinte, decidiu tentar algo diferente. Ajudou a avó a carregar as compras, emprestou o lápis a um colega que tinha perdido o dele e, ao chegar a casa, fez logo os trabalhos de casa. Pouco a pouco, os sapatos começaram a ficar mais leves. Quando, à tarde, foi brincar com os amigos e não se importou de perder, os ténis voltaram a brilhar.
Pedro percebeu então que não precisava dos sapatos para ser rápido. O que eles realmente lhe ensinaram era que, quando fazia boas escolhas e ajudava os outros, tudo na vida parecia correr melhor — não só os seus pés.
Algumas semanas depois, Pedro voltou ao mercado para agradecer ao vendedor. Mas a barraca tinha desaparecido. No chão, apenas um bilhete: "A magia agora está em ti. Usa-a bem."
Pedro sorriu. Já não precisava dos sapatos para ser veloz — a velocidade que ele queria era outra: a de fazer o bem, sempre que pudesse.
E assim, sempre que tinha de decidir entre o fácil e o certo, lembrava-se das asas prateadas e de como a verdadeira magia vinha de dentro.

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