O pedido infinito



António era um rapaz simples, de sorriso tímido e olhos que brilhavam sempre que via a Margarida. Desde a infância, sempre tivera um carinho especial por ela. Não sabia bem explicar o porquê — talvez fosse o jeito como ela ria, como ajudava os colegas na escola ou como andava descalça pela relva sem medo do mundo.

À medida que cresciam, António foi-se apaixonando verdadeiramente. Cada vez que a encontrava, fazia o mesmo pedido, com voz baixa mas sincera:
— Queres casar comigo?

Margarida, divertida, respondia sempre com uma gargalhada e um firme:
— Não, António!

Mas António não desanimava. Continuava a vê-la, a acompanhá-la, a rir das suas histórias. E, claro, continuava a fazer o pedido. Passaram os anos. Passaram as escolas, os empregos, os amigos. E António, sempre fiel ao seu coração, continuava a perguntar:

— Margarida, queres casar comigo?

E ela, entre sorrisos e gestos carinhosos, mantinha a resposta:
— Ainda não, António.

Mas algo mudou. Margarida começou a olhar para António de forma diferente. Começou a ver mais do que o amigo teimoso. Começou a ver o homem bondoso, paciente e cheio de amor.

Num dia de verão, num banco de jardim onde tantas vezes se encontraram, António perguntou mais uma vez:
— Margarida, queres casar comigo?

Desta vez, Margarida sorriu de um jeito diferente. Tocou-lhe na mão e respondeu:
— Sim, António. Quero.

António ficou sem palavras. Sentiu o coração disparar e os olhos a humedecer. Voltou para casa tão feliz que parecia voar. Deitou-se na sua cama com um sorriso que iluminava o quarto e adormeceu com o coração cheio.

Na manhã seguinte, António não acordou. Partiu em paz, com o “Sim” que esperara a vida inteira. Margarida chorou. Chorou muito. Mas também sorriu, porque sabia que António partira com o coração leve, com a certeza de que o seu amor foi correspondido.

Desde esse dia, Margarida passou a visitar o banco do jardim. Ali, contava histórias a crianças sobre o amigo que nunca desistiu de amar. E sempre dizia:

— O amor verdadeiro não tem pressa. Ele sabe esperar, mesmo quando a resposta demora uma vida inteira.

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