Numa folha verde bem alta de uma árvore, vivia a Bela, uma pequena lagarta de cor verde. Desde cedo, Bela sonhava em voar. Sempre que via uma borboleta a esvoaçar ao vento, os seus olhinhos brilhavam de vontade.
— Um dia, serei como elas! — dizia com entusiasmo, arrastando-se depressa pelas folhas.
Mas o problema era que a Bela não queria esperar. Ela queria voar já.
— Crescer demora muito! — resmungava, olhando para o céu. — Eu quero as minhas asas agora!
Certo dia, conheceu o Pedro, um gafanhoto saltitão e alegre, que lhe disse:
— Tudo a seu tempo, Bela. Eu também tive de esperar para aprender a saltar tão alto. Se apressarmos o tempo, perdemos a beleza do caminho.
Mesmo assim, a Bela tentava de tudo: enrolava folhas a fazer de asas, subia a ramos altos para tentar planear, e até pediu à Dona Abelha para a ensinar a voar. Mas nenhuma dessas ideias resultava.
— Bela, voar não é só bater asas — disse a Dona Abelha com um zumbido calmo. — É sentir o vento por dentro e por fora, e isso só acontece quando chega o momento certo.
Frustrada, a lagarta chorou. Sentia-se diferente, parada, sem brilho. Foi então que apareceu a Joana, uma joaninha pequenina, que pousou ao seu lado e sussurrou:
— Sabes, a tua magia está a crescer dentro de ti. Quando estiver pronta, vais sentir.
Com o passar dos dias, Bela começou a aceitar o seu tempo. Em vez de reclamar, passou a observar a natureza: a chuva que lavava as folhas, o sol que as secava, os pássaros a cantar, os amigos a brincar.
Um dia, sentiu-se estranha. Quentinha, como se o mundo tivesse ficado em silêncio. Estava pronta para o seu casulo. Enroscou-se e ficou ali, calma, envolvida num abraço invisível.
Quando finalmente acordou, o mundo parecia igual... mas ela estava diferente. Saiu devagar do casulo e viu, com surpresa, que algo leve e bonito lhe tocava as costas.
Eram asas.
Coloridas, enormes e brilhantes como as suas pintas. Bela voou pela primeira vez, sentindo o vento, o sol e o coração a bater mais forte.
— Valeu a pena esperar — disse com um sorriso.
E lá foi ela, dançando pelo céu, mostrando a todos que, com paciência, amor e tempo, tudo chega.

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