A zebra que queria ser igual


Na savana dourada, onde o sol parecia brincar com os campos e os animais corriam livres entre as acácias, vivia uma zebra chamada Zara. À primeira vista, Zara parecia igual a todas as outras zebras: quatro patas rápidas, orelhas atentas e uma crina elegante. Mas havia uma pequena diferença... As suas riscas não eram direitas como as dos outros. Eram em espiral!

Sempre que passava pelo lago, onde as zebras se reuniam para beber água e conversar, Zara sentia-se diferente. Enquanto as outras zebras exibiam com orgulho as suas riscas pretas e brancas bem alinhadas, Zara tentava esconder o seu corpo atrás das folhas, envergonhada.

— “As minhas riscas estão erradas...” — suspirava, olhando o reflexo na água.

Um dia, decidiu que já não queria ser diferente. Pegou em lama escura e começou a tentar pintar as suas riscas para parecerem direitas. Mas a lama caía, e o sol secava tudo num instante. Tentou folhas, carvão e até flores esmagadas, mas nada resultava. Em vez de se sentir melhor, Zara só se sentia mais triste.

Foi então que apareceu a Tula, uma pequena tartaruga muito sábia que vivia nas margens do rio.

— “Zara, por que estás tão triste?”, perguntou Tula, espreitando por cima de uma pedra.

— “Porque não sou como as outras zebras. As minhas riscas são estranhas. Ninguém vai gostar de mim assim.”

Tula sorriu com calma e respondeu:

— “Sabias que as espirais são formas raras na natureza? Estão nas conchas, nas flores, até nas galáxias! Tu tens algo que ninguém mais tem. Isso não é estranho, é especial.”

Zara ficou pensativa. Nunca tinha visto as suas riscas como algo bonito. E naquele momento, começou a olhar para si com outros olhos.

No dia seguinte, em vez de tentar esconder-se, Zara correu alegremente até ao lago. As outras zebras olharam para ela e sorriram.

— “Zara, as tuas riscas são tão diferentes... e tão bonitas!” — disse uma zebra mais nova.

Zara ficou corada, mas feliz. Pela primeira vez, sentia-se bem sendo exatamente como era.

Desde então, Zara tornou-se um símbolo na savana. Todos os animais olhavam para ela e lembravam-se que ser diferente não é um defeito — é uma forma de brilhar com luz própria.




Comentários