A ilha dos porquês



Era uma vez um grupo de amigos muito curioso: a Inês, o Tomás, a Leonor e o Matias. Eles adoravam fazer perguntas sobre tudo o que viam. Na escola, os professores às vezes ficavam cansados de tanto "porquê?", em casa os pais sorriam mas diziam: "Agora não dá!", e até os vizinhos já os chamavam de "os porquêzinhos".

Mas eles não se importavam. Queriam saber porque é que o céu era azul, porque é que os cães não falavam, porque é que as lágrimas eram salgadas e porque é que o tempo passava tão depressa quando estavam a brincar.

Certo dia, estavam todos no parque a fazer mais perguntas do que respostas conseguiam encontrar, quando uma senhora muito velhinha, de cabelos brancos como nuvens e olhos brilhantes, se aproximou e disse com voz doce:

— Sabiam que existe um lugar onde todas as perguntas têm espaço? Um lugar onde os "porquês" crescem como flores?

As crianças arregalaram os olhos.

— Como assim? — perguntou a Leonor.

— Chama-se A Ilha dos Porquês. Mas só os verdadeiramente curiosos conseguem chegar até lá.

— Como vamos lá? — quis saber o Matias.

— Fechem os olhos, deem as mãos... e deixem a vossa curiosidade guiar-vos.

As crianças fecharam os olhos, deram-se as mãos e, num piscar de olhos, sentiram uma brisa leve e quente, cheiraram o sal do mar e ouviram o som das ondas a bater na areia. Quando abriram os olhos, estavam numa ilha cheia de árvores coloridas, livros pendurados em galhos e placas com frases como: "Perguntar é mágico!", "Nunca pares de querer saber!", "O que acontece se…?"

Lá foram recebidos por um habitante muito especial: um papagaio gigante de penas azuis chamado Professor Porquê.

— Bem-vindos, pequenos exploradores! — disse ele, fazendo uma vénia com a asa. — Aqui, cada pergunta é uma semente que pode crescer e florescer.

Durante a estadia, cada criança pôde seguir a sua curiosidade.

A Inês queria saber como é que os peixes respiram debaixo de água. Foi levada por um golfinho falante até uma caverna submarina com bolhas de ar, onde pôde ver os peixes a usar as guelras.

O Tomás sonhava em saber porque é que os vulcões explodiam. Subiu ao Monte Quente com um dragão velho e divertido, que lhe explicou tudo com maquetes feitas de areia e lava de faz de conta.

A Leonor estava fascinada por saber como nasciam as estrelas. Foi com um mocho até a uma biblioteca no topo de uma árvore, onde os livros falavam sozinhos e contavam histórias do universo.

Já o Matias queria saber por que é que as pessoas choram. Foi levado até ao Vale dos Sentimentos, onde aprendeu que chorar pode ser de tristeza, de alegria, de medo ou de amor — e que é uma forma bonita de mostrar o que sentimos.

Ao final do dia, sentaram-se todos à volta de uma fogueira de luzinhas mágicas. O Professor Porquê olhou-os com carinho.

— Agora sabem que perguntar não é chato, nem tolo. É a melhor maneira de aprender. E às vezes… as respostas mais importantes não vêm de fora, mas de dentro.

As crianças sorriram, com os olhos a brilhar como as estrelas da Leonor.

— Temos que voltar para contar tudo — disse o Tomás.

— E continuar a perguntar! — acrescentou a Inês.

Fecharam os olhos mais uma vez, e quando abriram… estavam de novo no parque. O sol ainda brilhava e parecia que tinham estado ausentes apenas uns segundos.

— Acham que foi um sonho? — perguntou o Matias.

Mas no bolso da Leonor estava uma pequena pena azul do Professor Porquê. Sorriam uns para os outros. Sabiam que aquilo tinha sido real.

E desde esse dia, continuaram a fazer perguntas, muitas perguntas. Mas agora sabiam que cada "porquê" era uma ponte para descobrir mais sobre o mundo — e sobre si próprios.

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