O teimoso do Tomás



O Tomás era um menino muito esperto. Pelo menos, era o que ele achava. Nunca ouvia ninguém, nunca seguia conselhos e, na sua cabeça, tudo o que os outros diziam estava errado. A mãe dizia:

— Tomás, leva o guarda-chuva, vai chover!
E ele respondia:
— Chuva? No céu só há nuvens! Isso são só algodões gigantes!

Cinco minutos depois, lá estava ele, encharcado, a olhar para o céu com ar de surpresa.

Outro dia, o avô disse-lhe:
— Tomás, não enfies feijões no nariz, isso não se tira com facilidade.
— Isso é um disparate, avô! O nariz é um túnel sem fim! Os feijões vão desaparecer!

Bem… desapareceram tanto que tiveram de ir ao hospital para os tirar.

Mas a maior aventura aconteceu na escola, quando o professor explicou que a Terra era redonda. Tomás levantou-se da cadeira, indignado:
— Isso não faz sentido nenhum! Se a Terra fosse redonda, rolávamos todos como berlindes!

Os colegas riram, mas o Tomás decidiu provar que estava certo. Então, pegou numa bola de futebol, colocou um boneco de plástico em cima e rodou-a. O boneco caiu.
— Viram?! Não dá para viver numa bola!

O professor suspirou e tentou explicar sobre a gravidade, mas Tomás não quis ouvir. Então, decidiu provar o contrário ao próprio menino.

No dia seguinte, levou a turma para um parque e disse:
— Tomás, se a Terra fosse plana, devíamos conseguir ver até ao fim do mundo. Mas olha ali aquele barco a desaparecer no horizonte. Se fosse plana, ele continuaria visível, não achas?

Tomás olhou… pensou… mas, como não queria dar o braço a torcer, apenas disse:
— Isso é um truque dos piratas!

E assim continuou a sua vida, sempre convencido de que sabia tudo. Até que um dia, ao tentar provar que conseguia correr mais rápido que o vento, foi parar diretamente dentro de um lago.

Enquanto boiava, com os sapatos encharcados e a cara de espanto, finalmente pensou:
— E se… só se… talvez… eu não saiba tudo?

E foi assim que Tomás começou a ouvir os outros. Mas só um bocadinho.




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