O dom de escutar


 

Era uma vez uma floresta encantada onde os animais viviam felizes sob a proteção de uma grande e antiga árvore chamada Mãe Sábia. Esta árvore tinha raízes profundas que a conectavam com todas as criaturas da floresta, e ela era conhecida por ser a guardiã da sabedoria da natureza.

Um dia, uma menina curiosa chamada Lili decidiu visitar a floresta. Ela estava intrigada com a ideia de que os animais não podiam falar como os seres humanos. Queria saber porque não podiam eles ter conversas como as que tinha com os seus amigos na escola.

Quando lá chegou, encontrou um esquilo saltitante. Ele estava ocupado a recolher nozes para o inverno. Lili perguntou: - Esquilo, porque não falam como nós, os humanos?

O esquilo parou por um momento e olhou para Lili com os seus olhos brilhantes e explicou: - Bem, nós os animais, temos uma forma diferente de comunicar. Não usamos palavras como vocês, mas temos os nossos próprios meios de nos entendermos.

Curiosa, Lili perguntou: - Mas como é que fazem isso? Como se comunicam?

O esquilo sorriu e disse: - Repara naquelas borboletas ali? Quando voam em círculos, isso significa que o tempo está a mudar, e é melhor nos prepararmos para a chuva. E quando ouvimos o coaxar das rãs à noite, sabemos que o pântano está cheio de água fresca.

Lili ficou surpreendida e maravilhada e decidiu que a partir daquele momento estaria mais atentamente na observação dos animais da floresta e, com o tempo, aprender a entender algumas das suas formas de comunicação.

Enquanto explorava a floresta, Lili encontrou Mãe Sábia, a grande árvore. Ela perguntou: - Mãe Sábia, sabes explicar o porquê de os animais não falarem como nós?

A árvore sussurrou suavemente: - Lili, os animais têm as suas próprias línguas, só precisamos ouvir com os corações abertos. A natureza fala com todos nós, mas precisamos estar dispostos a escutar.

Lili finalmente entendeu que os animais tinham a sua própria maneira de se comunicar, e era bela e única como a própria floresta. Ela aprendeu a ouvir o vento nas folhas, o gorjear dos pássaros e os sons da floresta, e descobriu que podia entender um mundo inteiro sem palavras.

À medida que regressava a casa, levou consigo o conhecimento de que, embora os animais não falassem como os humanos, a natureza estava sempre a falar com todos nós, e era uma língua que todos podiam aprender a entender, bastava escutar com o coração.

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